sexta-feira, 24 de abril de 2009

Respeitável Público !!




Cada ramo do conhecimento humano passa por períodos de estagnação onde quase nenhum novo saber é agregado. Súbito, uma nova descoberta ocorre e as águas da cultura, outrora calmas como um rio sem brisa, agitam-se em ondas colossais. Não é diferente com o Origami. Antigamente, objetos mais complicados eram dobrados a partir de várias folhas, até que uma nova descoberta mudou tudo. Segundo Robert Lang ¹ isso ocorreu quando Emmanuel Mosser dobrou um trem com dois vagões utilizando apenas uma única folha de papel e sem cortes. A novidade foi a técnica empregada e que possibilitou aos artistas a criação de modelos mais complexos a partir de um simples pedaço de papel. Qual foi a técnica? box-pleating. É complicado explicar como ela funciona em um blog, mas Eric Kenneway nos dá o norte ²: "Se você dividir uma folha de papel em pequenos quadrados fazendo uma série de dobras paralelas às bordas, primeiro horizontalmente e depois verticalmente, e se você girar o papel e fazer vincos diagonalmente nos dois sentidos por toda a folha, o resultado é um padrão de dobras (CP) o qual se assemelha com pequenas bases preliminares enfileiradas" (nossa tradução). Teoricamente, você teria uma base universal a partir da qual poderia dobrar figuras complexas. Outros pioneiros nessa técnica foram Fred Rohm e Neal Elias. Este último, desejava dobrar "A Última Ceia" com a figura de Cristo e todos os apóstolos com uma única folha de papel. Até onde sei, não logrou êxito. Atualmente, o box-pleating é utilizado por todos os grandes mestres. Acho que todas as figuras humanas mais complexas dobradas que conheço utilizam o box pleating. Basta ver os modelos de Hojyo Takashi (exemplo: "a violonista" em postagens mais antigas deste blog).

O modelo acima foi criado por Max Hulme utilizando Box-Pleating.
01 única folha de papel retangular de 48cm x 24cm - sem cortes ou cola
Tipo de papel: não faço a mínima idéia. comprei em uma livraria em 2006!!
Diagrama no livro - Complete Origami (ver abaixo)

Para saber mais:
¹ LANG, Robert J. - Origami Design Secrets: mathematical methods for an ancient art - 2003 - A K Peters, Ltd.

² KENNEWAY, Eric - Complete Origami - 2000 - St. Martin´s Griffin

domingo, 5 de abril de 2009


Um ponto importante nos acabamentos de um origami é saber o momento exato de para de dobrar. As vezes, ficamos dobrando, dobrando, para melhorar o resultado final e o papel fica desgastado podendo até mesmo rasgar. Foi o quase aconteceu com essa tarântula.

Livro: Origami Insects Vol 2 - Robert Lang - Origamihouse
Papel: Kraft 40 x 40

domingo, 29 de março de 2009

Escorpión Buthus - Manuel Sirgo - escorpión - scorpion - escorpião

Sobre o papel utilizado (Papel Kraft, aproximadamente 50 xm x 50cm)
Eu não costumo dobrar insetos (ou semelhantes pois o escorpião não é inseto) pois é muito difícil encontrar um papel adequado para a tarefa. O nome do papel que utilizei para este modelo é Kraft, que é extremamente forte, praticamente "irrasgável" (nem sei se existe essa palavra) e que suportou todas as pressões, apertos, desdobras e dobras sem nenhum rasgão!!! Realmente impressionante. Aliás, Kraft em alemão quer dizer força. Eu tinha este papel guardado há um tempão e não sabia o quanto era eficiente.
É um papel extremamete recomendável para modelos que exigem folhas grandes e que aguentem pressão. Pode ser encontrado no site: www.origami-shop.com (veja recado ao lado)

Sobre o modelo:
O maior problema em se dobrar um escorpião é tentar fazê-lo seguindo a anatomia do bichinho.
Os maiores desafios a serem vencidos são:
1. O abdome (que é na parte de cima) possui sete divisões que vão ficando maiores na medida em que se aproximam da cauda. É muito difícil conseguir dobrar exatamente sete divisões e ainda deixar "espaço" para dobrar a cauda. A curiosidade é que no diagrama há o comando para as sete divisões mas, nas fotos do modelo no livro, só há quatro divisões. Acho que nem o autor teve paciência para dobrar todas as sete.
2. A cauda possui 5 divisões (arredondadas) e o aguilhão.
3. As patas possuem quatro divisões cada.

O papel ajudou demais para o sucesso do modelo. Peço desculpas aos amantes de insetos pelos eventuais equívocos cometidos.

Dobrado a partir do diagrama de Manuel Sirgo. Livro: "Imaginando em papel" - Salvatella - 2006 - pg. 197

quarta-feira, 18 de março de 2009

Aslam


Belo modelo que me custou algum tempo nos acabamentos. O papel sofreu bastante pois, quase no fim, me atrapalhei e tive que desdobrar e dobrar tudo novamente. Nem sei como o danado aguentou. Tenho certeza de que se fosse dobrá-lo novamente o resultado seria bem melhor, mas acontece que nunca (ou quase nunca) dobro o mesmo modelo mais de uma vez. Ocorre que tenho pouco tempo livre e prefiro sempre arriscar algo novo. Quem sabe algum dia, com mais tempo.... O leão é um animal fascinante, mesmo dobrado, não perde sua pompa. Esse modelo ao vivo é impressionante, com uma enorme juba tridimensional.... Recomendo!!

Papel utilizado: Washi de 35 x 35cm
Criador: Satoshi Kamiya
Interpretação de Youji Minami
Diagrama no Livro Tanteidan Convention v.13 Pg. 41 a 53

sábado, 14 de fevereiro de 2009

King Kong

Antes dos acabamentos:

Com acabamentos:


Em 1985 li um artigo que falava sobre mestres japoneses que conseguiam dobrar até mesmo um gorila com uma única folha de papel. Desde então, eu sempre quis dobrar um. Uma vez tentei dobrá-lo a partir de um diagrama de Mr. Yoshizawa. Eram pouquíssimos passos mas o acabamento, apesar de simples, exigia muita lapidação. Eu não consegui.
Agora, finalmente, encontrei um diagrama que soubesse dobrar e aqui está o resultado.
Trata-se de um modelo criado pelo sul africano Quentin Trollip e dobrado com uma folha de papel Tant (78g/m²) de 35cm x 35cm. Novamente, os acabamentos são os responsáveis pelo resultado final.
Diagrama no Livro: Licence to Fold, Pag 66

sábado, 6 de dezembro de 2008

Deutscher Schäferhund



Comentários do amigo e criador de pastores Beto Aquino, biólogo renomado, sobre o origami acima, feito por encomenda:

"Belíssimo origami, que encheria de orgulho o próprio Max Von Stephanitz(criador da raça). Esta representação do Deutsche Schaferhunde (pastor alemão) nos reporta a 1899 quando os primeiros exemplares oficiais foram apresentados no Verein fur Deutsche Schaferhunde (SV ), Associação dos Pastores Alemães.

A beleza da raça, fielmente representada na arte acima, transcende seus aspectos morfológicos e se concretizam de forma pungente em sua devoção, atenção, inteligência, esportividade, carinho, zelo e proteção dispensados à família a qual pertence."

----- Modelo criado por Seiji Nishikawa e dobrado por mim em papel de 35 x 35 cm
Livro: Works of Seiji Nishikawa

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Origami em Movimento - Cavalo - Roman Diaz





Depois de alguns meses sem ter tempo para dobrar, resolvi plegar um modelo de Román Diaz. É incrível como suas figuras parecem ter vida. Esse cavalo foi dobrado com um papel que comprei na loja do Sr. Nicolas (pela internet, claro). Trata-se de um papel "grosso" mas que mantém os vincos pois alguns papéis de gramatura maior, com o tempo, vão desdobrando. Não é esse o caso.


O segredo, como sempre, o acabamento. Gasta-se tanto tempo em acabamento quanto na dobra do animal em si. O resultado é o da imagem acima. Parece que tirei a foto de um cavalo de verdade e, através de efeito de photoshop, transformei o que era real em papel.



Vou acabar dobrando o livro todo.